Conselhos aos Ostomizados

Coordenação Técnica:

Enfª Estomaterapeuta Emília Alves

 
 

Os temas, sobre as actividades de vida diária aqui desenvolvidos, são aqueles que consideramos de primordial importância para uma boa qualidade de vida dos Ostomizados.

 

No entanto, há muitos outros assuntos que deverão ser debatidos com a sua Enfermeira Estomaterapeuta, Médico, Cirurgião, ou outros profissionais de saúde, e muito especialmente com outros Ostomizados mais experientes e já devidamente reinseridos.

 
 

 

A Alimentação do Ostomizado

Se antes da cirurgia não fazia dieta especial, então o mais certo é que continue assim. Contudo, deverá respeitar os conselhos gerais, que se aplicam a todas as pessoas:

  • Fazer refeições regulares e calmamente;

  • Mastigar cuidadosamente todos os alimentos;

  • Evitar alimentos irritantes, como: gorduras, fritos e charcutaria;

  • Introduzir os alimentos de forma gradual, alargando progressivamente o regime, até atingir uma dieta equilibrada.

 Deverá também conhecer as propriedades de certos alimentos, para assim poder controlar a dieta, e alguma possível alteração intestinal, sem ter de recorrer a medicamentos. Conhecendo as propriedades dos alimentos, é mais fácil identificar o, ou os alimentos responsáveis por alguma reacção menos desejada. Ver Tabela de Alimentos

 Em casos pontuais, pode-se recorrer ao apoio do Serviço de Nutrição, para prescrição de uma dieta apropriada e equilibrada.

 

 

 

A Higiene da Ostomia

O Ostoma e a pele circundante, devem ser limpos com água e sabão. O sabão, deverá ser neutro, quer seja em barra ou líquido.

Deverá utilizar-se uma esponja macia, e para secar a pele, uma toalha de felpo, também macia.
Nunca se deverá esfregar a pele, ou utilizar cremes gordurosos e produtos irritantes, como sejam as soluções anti sépticas, éter, álcool, etc..

Se existirem pêlos em redor do ostoma, estes devem ser cortados com uma tesoura. Não utilize cremes depilatórios, nem lâminas.

Esta higiene pode ser geral, como seja duche ou banho de imersão, ou somente cuidados de higiene parciais. O Colostomizado, pode fazer o seu duche com ou sem o saco. O Ileostomizado e o Urostomizado, devem manter o saco aquando da sua higiene, pois o funcionamento da sua ostomia é quase permanente.

 

 

 

Irritação Cutânea

Esta, é uma situação muito frequente e conhecida de muitos ostomizados.

  • As causas mais frequentes, são:

  • Deficientes cuidados de higiene;

  • Aplicação de produtos impróprios;

  • Uso incorrecto do material;

  • Má localização do ostoma.

 E porque a prevenção é sempre preferível à resolução, vejamos alguns conselhos básicos:

 Não exponha a pele periestomal aos raios solares, aquecedores ou outras fontes directas de calor. Deve, no entanto, expor esporadicamente a pele ao ar, à temperatura ambiente.

 Em caso de vermelhidão ou ardência, aplique um protector cutâneo, unicamente destinado a ostomias, sob a forma de pasta. Cubra toda a zona que pretende proteger, e passe a usar um material mais conveniente (um sistema de 2 peças, por exemplo).

 Algumas irritações cutâneas mais graves, exigem os cuidados de um enfermeiro estomaterapeuta, e por vezes até é necessário recorrer ao apoio de um médico dermatologista.

 Existem ainda outras complicações, infelizmente também frequentes, que necessitam do apoio de um enfermeiro estomaterapeuta: Aconselhamento sobre a correcta utilização do material (placas convexas, por exemplo, para quem apresenta invaginação do ostoma), e até a necessidade de recorrer ao médico cirurgião, para nova intervenção cirúrgica, por exemplo nos casos de hérnias, prolapsos ou estenoses.

Complicações das ostomias

Reacção alérgica ao material utilizado

Má posição de uma ileostomia,

e o local onde deveria ter ficado

Os produtos usualmente utilizados como desinfectantes, ou para a eliminação de odores, nunca deverão ser usados na pele que rodeia a ostomia.

 

 

 

O Vestuário do Ostomizado

O ostomizado poderá manter o mesmo estilo de vestuário, que sempre usou, pois actualmente o material é muito cómodo e discreto. Deve, no entanto, ter a preocupação de não colocar cintos ou roupas muito apertadas por cima do ostoma, o que até será pouco confortável.

Por vezes, no homem, é aconselhado o uso de suspensórios, e na mulher, o uso de roupa mais ampla. Em caso de necessidade, e de acordo com a indicação médica, o ostomizado pode utilizar uma cinta abdominal apropriada.

 

 

 

O Exercício Físico

Como qualquer indivíduo ostomizado, pode e deve praticar desporto.

Não deverá escolher modalidades mais violentas, como por exemplo o boxe, judo, karaté, etc., mas sim desportos como o ciclismo, natação, ténis, ginástica de manutenção, etc., que são mesmo altamente recomendados.

Como se compreende, qualquer desporto ou actividade física que implique grande esforço abdominal, está contra-indicado. O ostomizado deverá consultar o seu médico cirurgião, e aconselhar-se.

 

 

 

As Viagens

Pode viajar sempre que achar conveniente, e assim o desejar. Pode ainda utilizar todos os meios de transporte habituais.

Nas viagens de avião, e porque a bagagem se pode extraviar, transporte sempre o material para ostomia junto de si.

Deve levar material em quantidade excedentária para as mudas necessárias, pois pode encontrar dificuldade na sua aquisição. Mesmo para pequenas saídas de casa, deve sempre levar material, para o caso de ser necessário a sua substituição.

Para a higiene fora de casa (WC de um café, e locais semelhantes) aconselha-se o uso de lenços de papel, ou papel higiénico, para limpar e secar a pele.

 

 

 

A Actividade Laboral

Como vimos, o ostomizado pode fazer quase tudo, como antes da cirurgia. Assim, logo que completamente restabelecido, o ostomizado deve retornar ao seu emprego, salvo nos casos em que o esforço físico é incompatível com a sua situação de ostomizado. Nestes casos, deveria ser possível a reconversão profissional, na mesma entidade empregadora.

Actualmente, só o cirurgião deve aconselhar o não retorno à actividade laboral anterior, e sabe-se que isso só acontece em casos muito específicos.

A Sociedade não deve marginalizar os cidadãos ostomizados, pois estes continuam activos e produtivos, nem estes se devem isolar.

 

 

 

A Irrigação

A perda do controlo esfincteriano, quer dizer, a incontinência para fezes, gases e odores, é a maior preocupação sentida pelo ostomizado. Felizmente que, para um grande número de colostomizados, existe um método para combater esta situação

Assim, e salvaguardando excepções, os portadores de colostomias descendentes ou sigmoideias, e só estes, podem, após consentimento médico, e com o apoio de um enfermeiro estomaterapeuta, aprender a técnica de irrigação.

E em que consiste a irrigação?

A irrigação funciona como uma espécie de clister: faz-se uma lavagem intestinal, com material apropriado, através do ostoma, deixando o intestino de funcionar por um período que pode ir de 24 a 72 horas. Durante este tempo, como não há saída de fezes, e a quantidade de gases diminui consideravelmente, não será necessário usar o material habitual, mas sim uma espécie de tampão - um pequeno penso para protecção do próprio ostoma.

Este método não é agressivo para a mucosa intestinal, porque é executado com material apropriado (kit de irrigação), e sempre sob a orientação de um enfermeiro estomaterapeuta. Na realidade, até é especialmente recomendado para todos os colostomizados activos, e até em casos em que existe uma estenose do ostoma, isto é, quando o diâmetro do ostoma se torna tão reduzido que impede a saída normal das fezes. É também aconselhável para efectuar meios complementares de diagnóstico, como colonoscopias.

Não vamos exemplificar a técnica da irrigação, porque como referimos, há certas condicionantes que requerem o aconselhamento e consentimento médico. Além disso, e como também referimos, a aprendizagem deverá ser feita através de um enfermeiro estomaterapeuta.

Material para Irrigação

A facilidade da irrigação

numa colostomia descendente

 

 

 

Material para Ostomias

Existem alguns itens a que todo o material para ostomias, deve obedecer:

  • Segurança;
  • Máxima protecção da pele:
  • Comodidade;
  • Discrição.

A escolha do material a utilizar depende, por um lado, dos produtos eliminados (fezes sólidas, semi-líquidas, líquidas, ou urina), e do conforto auferido pelo utilizador. Assim, temos sacos fechados ou abertos, para colostomias e ileostomias, e sacos exclusivos para as urostomias.

Existem sistemas de uma só peça, quer dizer, todo o material é retirado quando necessário, e sistemas de duas peças, em que só se substitui o saco, permanecendo a placa durante um número variável de dias. O sistema de 2 peças é recomendado nos primeiros dois a três meses, após a cirurgia, ou sempre que haja alguma irritação cutânea; isto porque, não é necessária a remoção diária da placa, e a sua consequente recolocação, o que traumatiza ainda mais a pele, deixando assim esta em descanso.

As placas podem ser confeccionadas em resina na sua totalidade, ou possuirem só o centro em resina, sendo a parte mais exterior constituída por adesivo microporoso e hipoalergénico.

Como acessório a este sistema, existe um cinto regulável que pode ser adaptado ao saco, com o objectivo de o segurar mais eficazmente. Geralmente, é utilizado por ostomizados obesos.

O sistema de peça única, é aconselhado sempre que se tem uma pele periestomal em boas condições, e quando a muda diária não ultrapassa as três vezes. Este, é o material mais flexível que existe, e o que fica mais imperceptível sob o vestuário.

Os sacos destinados às colostomias, possuem um filtro de carvão, que desodoriza e permite a fuga dos gases do interior do saco para o exterior.

Os sacos das ostomias urinárias, possuem as chamadas "válvulas de antirefluxo", que impedem a urina de retornar para a região periestomal. Esta característica, tem como objectivo evitar irritações cutâneas e infecções.

Aos pequenos sacos das ostomias urinárias, pode ser adaptado um segundo saco colector, de maior e variável capacidade. Existem sacos colectores para uso diurno, que serão presos à perna, e camuflados pelo vestuário (calças, vestidos e saias compridas). Este segundo saco, permite uma maior liberdade de acção, sendo muito útil durante a actividade laboral, longos passeios, etc.. Para o período nocturno, existe o saco colector de maior capacidade (2 Litros), que ainda possui uma torneira que permite a sua re-utilização.

Ainda em relação às placas, e antes de as colocarmos, temos de as preparar. Podemos recorrer à ajuda de um molde para nos facilitar o recorte. Este molde, deve ser ajustado sempre que necessário.

Sabe-se que no período pós-operatório imediato, o ostoma possui dimensões aumentadas, devido ao edema próprio da cirurgia, e que passado um mês, geralmente esse diâmetro reduz, o que implica a construção de um novo molde.

É importante determinar o diâmetro do saco/placa a utilizar

(que pode variar ao longo do tempo)

 

 

 

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